Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Humanismo

Independentemente das infra-estruturas, das políticas económicas, penso que o problema reside na educação, na construção de uma linha de pensamento que vá de encontro ao humanismo. É muito difícil querer viver numa sociedade onde o indivíduo pensa na importância de um ser e não de o ser em si.
Penso que seja importante antes de mais percebemos qual o papel do ser humano no mundo em que vivemos. Será correcto pensarmos que vivemos para nos superarmos uns aos outros? Será correcto vivermos apenas a nossa interioridade, os nossos sonhos e abstrairmo-nos da mesma espécie que nos rodeia e não olharmos a meios para atingir os nossos fins, independentemente de sabermos que o ser, como todos nós, também ambicionam o mesmo? Seria importante reflectir a nossa existência, meditar acerca da verdade, pois cada (… mudança na essência da Verdade passa a identificar-se com o próprio rosto da realidade, com o que nos parece natural e evidente, e, por isso mesmo, reina inabalável, sem do facto nos apercebermos, sobre as nossas vidas…) (Brandão, A. 1973 prefácio Carta Sobre o Humanismo).
Visto devermos pensar na verdade como algo que vai mudando ao longo do tempo, existe e sempre terá que existir a ideia que as verdades e constantes verdades que vão existindo ao longo da nossa existência, deveram sempre visar o Ser como um todo, não existindo distinção entre homem e mulher, entre classes e subclasses. (Antes que o homem volte de si mesmo a dizer algo de inédito, terá novamente que inquirir acerca do ser, mesmo correndo o risco de não conseguir descobrir nem dizer muita coisa…) (Brandão, A. 1973 prefácio Carta Sobre o Humanismo).
Podemos então compreender que será importante averiguar o humano do homem para que o homem seja cada vez mais humano, abstraindo-se das ideias de que a natureza humana será manifestada e reconhecida só em sociedade como Marx defendia, ou como o Cristianismo revelou a humanidade do homem como não sendo deste mundo, e que encontra-se nele em transição para outro mundo, sem talvez se aperceber que retomou a noção platónica de mundo como um trânsito para o além.
O nosso elemento, aquilo pelo qual realmente devemos pensar antes de pensar em qualquer outra coisa, é sobre a nossa existência, sobre a nossa espécie e sobre aquilo que nós podemos garantir para ela. É isto que garante a excelência de um ser, de alguém que se destingue do outro. Esta realidade multiplicada e passada de humano para humano projecta na vida de cada um a felicidade de um todo!
Agora perguntam, então mas medidas e acções? Meus caros, mudar um pensamento não é a mesma coisa que mudar uma lei de base de um código penal. Mudar um pensamento uma filosofia de vida, requer uma abordagem desde a fase mais tenra até à fase mais adulta. Mudar as atitudes para mudar as práticas! Não podemos deixar que as novas gerações se deixem levar pela superficialidade de alguns conteúdos da vida. Viver é muito mais que comprar, viver é muito mais do que vestir e aparentar, viver não é ir para zona da Av. da Liberdade à hora de almoço e mostrar o telefone o relógio ou o fato que conseguiu comprar com o dinheiro que o papá lhe ofereceu no natal e pensar que esse lhe traduz um estatuto diferente daquele que realmente é! Viver é partilhar a nossa interioridade, o nosso saber, aquilo que podemos passar para que o outro fique melhor do que já era! Se todos pensarem da mesma forma com certeza seremos sempre melhores do que já somos.
O que ganho eu em perder tempo a escrever no blog? Estatuto? Não! Dinheiro? Não! Destinção social? Não! Cada vez sou mais criticado, cada vez estou mais sujeito a tentativas de boicotes por “coisas” que se sentem ameaçadas...
Faço pela livre vontade de amar o partilhar com os meus amigos e com quem quiser comentar, o pouco que vou aprendendo ao longo da minha vida. Partilhar por partilhar...

2 comentários:

  1. É sempre bom quando podemos partilhar bons e maus momentos da nossa vida com alguém. É sempre bom construirmos um passado cheio de boas lembranças do presente. É sempre bom...

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  2. Não é fácil colocar o humanismo numa sociedade frenética, capitalista e individualista como a nossa. quem gosta de filosofar na vida encontra sempre estas inevitabilidade. mas como mudar? onde é que vocês (pessoas que também leram) encontram humanismo nas vossas vidas? onde? onde?

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