Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

O retrato de uma poesia

Se me permite a ousadia, tenho por gosto comentar a poesia que quebrou a minha monotonia. Como a pouca sabedoria de um rapaz de 27 anos, cheio de vontade de sonhar, transcrevo em palavras todos os ramos e flores que brotaram em mim após a sua visão de amar.
Não tenho uma dinastia, mas tenho sentidos que despertam os meus sentimentos, que me permitem alcançar a importância dos acontecimentos, que me fazem querer criar este “tronco” de eterno amar. Amar o neto, o filho ou bisneto, sem ordem de certo, mas apenas por amar. Amar de termo incerto, não tem prazo para findar. À imagem do tio Ernesto faço questão de amar, de pintar o meu sonho nesta tela por acabar.
Alcancei a sua imagem de perdurar, tal como nos diz no “Os Meus Mortos”, pois adoro pensar naquilo que vivi, apreciando as muitas acções do sujeito, mesmo que por vezes sejam curtas, através da mente, consigo perdurá-las para além do tempo tal como os sonetos que tive o privilégio de apreciar. Adoro pensar naquilo que me deu alegria, faz-me pensar que estou vivo, faz-me pensar e sonhar naquela que me ensinou a amar… Tenho um avô para conversar, mesmo que por cá não ande, pois dele não me esqueço, em mim está vivo! “… Quem é que diz que os mortos ficam mortos…?”
Ganhei um novo sonho, uma nova ambição de alcançar a forma como o tio relata em versos, as recordações das suas alegrias, das suas tristezas ou angústias, retratando sempre o concreto de cada acção no espaço e tempo. O relato Coimbra do seu tempo como canto da sua poesia, como “…labareda permanente…” de concretos sentimentos, passados sem passar, sem nunca dissipar…
Como nos faz sonhar e querer acreditar, que também poderemos alcançar esse eterno menino que há em si, que tem perdurado, contagiado os seus entes mais queridos a manter aquilo que de mais prematuro há em nós. “ Os Velhos Meninos” descodificam “… as histórias fantásticas de amor gravadas vida fora em nossos peitos…”, de como é importante guardá-las para nós e para os nossos como retratos da nossa existência sempre interiorizada no eterno amor, pelo o que constituem e não pelo que parecem tal como nos fala em “Os Meus Amores”.
Como observo no Pedro a linhagem do seu discurso, como observo a vontade de encontrar a sua companheira e de dar seguimento aquilo que os seus antepassados deram início de forma apaixonada, de brasão, de sangue quente inserido nessa vossa árvore da vida.
“Um Sentido para a Vida” reflecte em mim aquilo que de mais importante existe nesta nossa existência, viver para sentir, sentir o verdadeiro sentimento da nossa vontade sem olhar a influências externas, sempre com base nos valores “…do menino…” que há em nós, aquele ser puro que abraça com amor todas as fases da sua vida.
Esta bonomia literária, sincera, canaliza a minha misantropia para o abstracto, para a ideia de que as causas deste facto nunca tenham existido e faz-me sonhar como será o dia que voltarei amar.
Eleições todas nos temos e este terei de destacar, pois é lindo, sincero, vê-se em cada imagem fundada pelas palavras, pelos versos que relatam esta simbiose entre Apolo e Dionísio, sim, este casamento atómico de esplendor activo que vai para além desta nossa pequena existência, criando-lhe constantes imagens, recordações de vivências passadas ao longo de toda a união nesta vida e que se arrasta para longe…
Toda esta variedade de relatos, de vivências e experiências, reavivam em mim a mais íntima vontade de construir um caminho, uma raiz repleta de rebentos, de autênticas flores e sem esta sua verdade é sempre difícil de alcançar. Todo este conjunto sublime de sonetos só me faz acreditar que é impossível a pureza, a sinceridade do acto, a honestidade, a genuinidade dos frutos e ramos que rebentam do meu corpo, não estarem aliados ao amor! É só pegar e provar pois assim, através do sabor, verá que não são fertilizantes, veneno, mas sim a força dionisíaca do ser que provém da terra, verá que não é apenas aparato provocado pelos vários estimulantes exposto no enredo da vida mas sim a minha interioridade.

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