Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O objecto

Peço Desculpa pela extensibilidade do texto, mas torna-se complicado passar a ideia em poucas palavras, até porque trata-se da nossa existência e das problemáticas que nela existem.
O mundo que nos envolve é imenso! Infinitos pensamentos nos prendem, nos preenchem com questões que, tal como pudemos verificar para lá da nossa compreensão, mas que nos alimentam e nos perduram nesta incógnita existencial. Tal como vos referi estou em querer que estamos perante uma instabilidade social, e para tal parece-me importante focarmo-nos no elemento. Segundo Heidegger, "... já há muito tempo, demasiado tempo, o pensar está fora do seu elemento.", e coloca-nos uma questão que me parece fundamental, " Será possivel chamar o reconduzir o pensar ao seu elemento?" Passo a explicar. No pensar de uma determinada questão, de um porquê, o fundamental é a focalização do elemento. Contudo, o mercado da opinião pública exige a existência dos "ismos", que já tanto se desconfia, cobrando sempre esta necessidade, utilizando como exemplo a lógica, ética, física, quando o pensar originário chega ao fim. Na sua gloriosa era, os gregos pensavam sem tais titulos! Digamos então que, " o elemento é aquilo a partir do qual o pensar é capaz de ser um pensar. O elemento é o que propriamente pode: o poder."
Seria mais fácil "passar" as multiplas ideias que me percorrem através de uma conversa directa, que tanto me dá prazer, mas no nosso tempo é anormal encontrarmo-nos rodeados de seres humanos, tal como sempre acontecera, e passamo-nos a rodear de objectos, isto é, segundo Baudrillard, passámos a viver o tempo dos objectos existindo segundo os seus ritmos e sucessões permanentes. “Actualmente, somos nós que os vemos nascer, produzir-se e morrer, ao passo que em todas as civilizações anteriores eram os objectos, instrumentos perenes, que sobreviviam às gerações humanas.” (Baudrillard, A Sociedade de Consumo). Transformou-se assim uma relação consumidor objecto onde este não assume uma necessidade especifica, mas sim um conjunto de objectos como uma necessidade total. "… Em determinados casos, procuram imitar a desordem, para melhor seduzir, ordenando-se sempre, no entanto, para abrir vias directoras, para aumentar o impulso da compra em feixes de objectos, encantando-o e levando-o, dentro da própria lógica, até ao máximo investimento e aos limites do respectivo potencial económico." (Baudrillard, A Sociedade de Consumo). Chegamos ao ponto de o «consumo» ser uma forma de vida, que abrange todas as actividades de forma combinatória, onde as programações satisfatórias encontram-se pré definidas hora a hora, onde as interligações se encontram totalmente climatizadas, organizadas e culturalizadas. "… na fenomenologia do consumo, a climatização geral da vida, dos bens, dos objectos, dos serviços, das condutas e das relações sociais representa o estádio completo e «consumado» na evolução que vai da abundância pura e simples, através dos feixes articulados de objectos, ate ao condicionamento total dos actos e do tempo, até à rede de ambiência sistemática inscrita nas cidades futuras que são os drugstore, os Parly 2 ou os aeroportos modernos." (Baudrillard, A Sociedade de Consumo). Esta ligação do objecto com o consumo e sua necessidade, conduz-nos a um aspecto essencial desta compreensão, que se prende com a hierarquia e a distinção social que o próprio objecto consumido pode causar na sociedade, ou seja, um principio de análise segundo Baudrillard, "…nunca se consome o objecto em si (no seu valor de uso) – os objectos (no sentido lato) manipulam-se sempre como signos que distinguem o individuo, quer filiando-o no próprio grupo tomado como referência ideal quer demarcando-o do respectivo grupo por referência a um grupo de estatuto superior." (Baudrillard, A Sociedade de Consumo). Mediante esta correlação entre o objecto, que gere consumo, que por sua vez irá potencializar uma determinada afirmação e contextualização social supostamente superior, aceitamos este ponto de vista? Vivemos para consumir aquilo que criamos mas que agora não controlamos? Ou somos controlados pela ganância, pela necessidade que grande parte dos seres humanos têm em se superiorizar ao outro, esqueçendo que lutam contra outro idêntico a si? Como pudemos permitir na nossa existência, um objecto como destinção de uma classe, de um ser humano? Como podemos nós contornar esta tendência?
Ps: Não se contenham nas vossas palavras porque eu também não me vou conter! Usarei a linguagem para mostrar a minha ignorância, a minha incompreensão, a minha irreverência perante aquilo que vejo e sinto à minha volta, e sinto porque acima de tudo sou humano e nesse humano quero para sempre ficar! Aqui não há espaço para medos, nem para disparates, porque tudo aquilo que se diz é um silêncio que mais tarde se tornará um ruído, aqui a liberdade nunca será efémera e perdurará para sempre na nossa existência...

5 comentários:

  1. Mano,já percebi que há coisas que não compreendes...e tudo muito facil!Não percas muito tempo a pensar, age mais do que o que pensas!Caga nas opiniões e nas críticas!Faz e depois logo se vê...A vida é muito curta para "perder tempo" a pensar!Ok?
    Agora, vai mas é trabalhar malandro!
    abraço

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  2. PESSO??? tens de ler a cartilha outra vez nao? aí irás perceber que será PEÇO. doi pensar é verdade mas ler iço poe me a pensar se os dicionarios da Porto Editora nao te devem processar por abuso,humilhaçao,tortura psicologica and so on. é de matar qualquer pessoa..ou será peçoa? faço te um pedido, nao violes mais nem pratiques outro atentado a lingua portuguesa. foi fernando pessoa, eça de queiros que me pediram para te dizer isto horas depois de terem tido um enfarte

    Atenciosamente

    Luiz Vaz de Camoes

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  3. se a tua vontade mais espontânea é "pensar", fá-lo, e nao dês demasiada atenção a quem te diz para fazer o contrário, porque se assim fizeres nao vais ficar em paz e tranquilo contigo mesmo. A maioria das pessoas hoje em dia deixa-se estar refastelada na preguiça e no ócio, nesse estado do "nao pensar" em nada, nem nas consequencias dos seus actos. Virou moda e, infelizmente, hoje em dia o que é "fashion e giro" é nao pensar, nao ter sentimentos, o falso "jah spirit nao me chateies", o egocentrismo e a ambição por grandes cargos na vida sem esforço algum - dinheiro fácil, como o eterno sonho do portugês em ganhar o euromilhões, em que o cumulo da idiotice nisto é que o tempo que perde a sonhar com tamanha inutilidade poderia ser gasto em esforço proprio para conquistar as suas ambiçoes. Mas ambições? haverá ainda isso nos jovens de hoje? nao. perdeu-se o estimulo intlectual, a humildade e o espirito de sacrifício na busca dos sonhos. para nao falar na perda dos sonhos, paixão à camisola e esse "pensar" que é o 1º estimulo da evoluçao! Perante este quadro da juventude actual iriam Eça, Camões, Pessoa, Sophia, Torga,vasco da Gama e D. Afonso Henriques e tantos outros ficar desiludidos. Se estes, Einstein, Newton, Pasteur, bill gates ou mesmo J.K Rowlling chegaram onde chegaram, nao foi de certeza por milagre, nao foi sem esforço e sem esse "pensar". Se pensar em demasia te magoa, abranda. mas nao extingas isso. E continua assim a questionar, a opinar e a nao desistir, porque só assim farás a tua funçao e deixarás a tua marca no mundo, no mundo de alguem, ou mesmo no teu. bjo ;)

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  4. Luiz Vaz de Camoes e's um idiota ignorante que devia ir comentar hi5's ou algo de simples compreensão e não vir opinar barbaridades para blogs de qualidade. Os erros ortográficos são escandalosos. Sugiro portanto que antes de comentares o que quer que seja aprendas a escrever português. em relação ao comentário da Inez concordo plenamente com tudo o que disseste, palavras bonitas de incentivo e com sentido.

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  5. surfista da banheiraFeb 24, 2010 04:24 PM

    Primeiro que tudo quero parabenizar (sim, é língua portuguesa e está correto - ou correcto, como queiram) o autor do blog pelos textos e pela predisposição que revela para PENSAR e debater ideias (uma maçada hoje em dia para a maioria - e ainda bem para mim e pessoas como o Romeu, ainda mal para o mundo em geral - mas não terá sido sempre assim?pergunto-me)Será que é a maioria e quem não pensa que está do lado do sucesso? na sua própria casa talvez, ou no seu pequeno mundo. Depois, quero dizer ao "ricardo" que pensar pode ser não compreender, mas ainda assim será compreender um pouco mais que ele próprio, pois não há nada que se "compreenda" absolutamente companheiro. Se para ti Pensar é "perder tempo", gostava de saber em que tu gastas o teu tempo( retórico - não gostava mesmo nada de saber). Ademais (sim, é língua portuguesa e está correto, ou correcto,como queiram)de onde pensas que virá a ciência(deduzo que não faças a miníma do que seja, na realidade), a tecnologia, o conhecimento, e a inteligência?a evolução (em todos os sentidos)e até a "sobrevivência do mais apto e do mais capaz"?POr outras palavras , a Selecção( ou seleção) Natural. Será da força física e da "beleza"? escusas de responder "ricardo".
    Deixo por fim um apelo para um debate acerca do Acordo Ortográfico - vantagens e desvantagens para Portugal, a língua portuguesa, a cultura e consequentemente para os Portugueses.

    ps- digo o contrário do "ricardo": perde muito tempo a pensar, e não "cagues" nas opiniões e nas criticas - pois aprendemos com todos , incluindo com o "ricardo". O que só nos pode fortalecer e dar auto-estima - coisa que pessoas como ele pouco têm.
    Não sei quem é o "ricardo" (nem interessa)e obviamente não posso ter nada contra uma pessoa que não conheço, mas serve de modelo padrão para aferirmos a forma como "pensa" a maioria que por acaso é quem não PENSA.

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